21:58

Estou submersa num silêncio ensurdecedor. Não há ninguém aqui, apenas os fanstasmas que me assombram a noite, mas até esses um dia me vão deixar, e inesperadamente, até eles me vão fazer falta. As vozes que me atormentam desvanecem-se com o fumo do tabaco, que ultimamente consumo descontroladamente, mas com elas voam também a tua. Tento lembrar-me de ti, do som da tua voz, de cada palavra que me disseste, mas cada vez me lembro menos. O ruído acumula-se em torno das palavras que tão cheia de amor, e desilusão proferiste. E eu tão cheia de tristeza e mágoa escutei. E tenho medo que elas também se percam, se percam como eu já me perdi. Algures por ai, em algum lugar, ou em alguém. Tenho medo que o meu coração esqueça os teus traços, os teu braços, e um dia te olhe e já não saiba quem foste. Não te deixes perder em mim. Não deixes que te perca.

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