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Raramente escrevo sobre ti, talvez porque tenho medo das conclusões a que posso vir a chegar. Porque não quero de todo ficar de pé atrás em relação a "nós", ao que sinto ou deixo de sentir. É contigo que me sinto bem e é contigo que quero ficar. Ou pelo menos estar. Digo-o desta forma porque ficar é para sempre, e estar é por enquanto. E eu sei que nada é eterno. Sabemos os dois. Mas o que importa de verdade é o agora. Há que aproveitar o que a vida nos dá de bom e tu és, sem dúvida alguma, o que de melhor me aconteceu nos últimos tempos. Não sei dizer-te o que sinto. Talvez porque não quero tão pouco pensar nisso. Porque tenho medo de me aperceber de que gosto mais de ti do que dou a entender. Mas ainda bem que assim o é. Pensar demais faz mal. Gostar demais de alguém dá cabo de qualquer pessoa. E eu assusto-me com tanta facilidade que peço-te por tudo, e do fundo do coração, que tenhas calma comigo. Muita calma e a maior das paciências. Nem sempre sou a mais fácil e, por vezes, sou de extremos. Ou a 8 ou a 80. Preciso de carinho, mas não tanto quanto isso. Tem de haver um meio termo, um ponto de equilíbrio. Não abdico da minha liberdade e dos meus momentos a sós por nada deste mundo. Mas não te preocupes. Há espaço para ti na minha vida. Claro que há. Porque, verdade seja dita, nunca pensei que algum dia fosse encontrar alguém como tu. Alguém que sabe o que quer e que, mais importante do que isso, me quer a mim, que no dia em que for preciso não vai hesitar em gritar aos sete ventos que me ama. Eu, pelo contrário, sou um autêntico bichinho de sete cabeças. Por um lado, sou incapaz de viver em função de um outro alguém que não eu. Mas, por outro, também sou incapaz de passar muito tempo longe de ti. No fundo, sou lenta por natureza e levo o meu tempo a compreender coisas sobre as quais não devia ter a mais pequena dúvida. Mas sempre ouvi dizer que devagar se chega ao longe.

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