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Acordas uma manhã e tudo à tua volta parece querer lembrar-te da pessoa incrível que há segundos atrás tinhas a teu lado, e agora não está nem perto para te abraçar quando cais sem esperança. E é como se cada pedaço de céu te trouxesse uma conversa, ou um abraço, ou um beijo ou simplesmente um olhar que partilhaste com essa pessoas que prometera estar ao teu lado quando cada um dos teus sonhos se tornasse realidade e agora percebes que eles não vão ganhar vida porque todos estavam em alguma forma ligados a essa pessoa a quem entregaste o teu coração , julgando que o estarias a proteger do frio e da escuridão que sempre habitou em ti. E olhas-te ao espelho pendurado no fundo do teu quarto e não encontras mais o sorriso que até essa manhã acordava contigo, pronto a enfrentar cada obstáculo que o mundo tinha para te oferecer, porque sabias que no final do dia uns braços te acolheriam quando chegasses a casa e nunca te faltaria um ombro onde chorar quando sentisses que a magia não mais te sorria de volta. Olhas pela janela, vês o tempo cinzento e choras mais umas quantas lágrimas enquanto vestes a primeira roupa que encontras na gaveta de cima da cómoda. Terias gostado mais de mim se eu me tivesse decidido tão depressa todos as manhãs em que esperavas lá em baixo, sussurras enquanto tocas o rosto dele numa das vossas fotografias que decoram o teu quarto, procurando sentir o calor e a tranquilidade que ele sempre te transmitira. Sem saber muito bem como, sais de casa e encontras o teu caminho, caminho que percorres sozinha pela primeira vez depois de muito tempo e a cada esquina que cruzas traz-te uma memória que, por mais pequena que seja, faz o teu coração doer um pouco mais, mesmo sem saberes como isso ainda é possível. Colocas os fones e pões a música no volume máximo e por momentos o mundo é belo de novo, pelos menos até o caminho chegar ao fim e teres que enfrentar os teus amigos que te perguntam mil vezes se estás bem, e tu mentes mil e uma , abanando com a cabeça que sim. E com muito esforço consegues forçar as lágrimas a não caírem, e quando te apercebes já é hora de voltar a fazer o caminho para casa. Mas quando voltas a abrir a porta do teu quarto, desligas a música, sentas-te na cama que foi um dia palco do grande amor que perdeste, e a dor continua lá e regressa com ainda mais força. Enrolas-te em ti própria e deixas-te ficar num canto, escondida dos monstros que ainda não percebeste estarem apenas na tua cabeça. Os teus amigos continuam a ligar-te a pedirem-te que voltes a ir ter com eles e a dizerem-te que tudo vai ficar bem e que tens que seguir em frente, mas tu não sabes mais onde é em frente, porque aos teus olhos não há mais nada que venhas depois de teres perdido a coisa que te marcava o rumo. Perguntas-lhe a eles e nem eles te sabem responder e perdes a esperança. Vais à cozinha fazer um esforço para sorrir e mostrar que estás bem e voltas assim que podes para o teu quarto, com a desculpa de teres tido um dia cansativo e precisares de descansar. Deitas-te na tua cama e cobres a cabeça com todos os cobertores, porque te sentes melhor no escuro e choras até adormecer, à espera de no dia seguinte acordar um bocado melhor do que hoje.

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