Ao (des)amor da minha vida

Era ela. Sempre foi ela.
Sempre fui um gajo cheio de inseguranças e medos. Sempre achei que o amor era para os fracos. Ainda acho. Acho que só se apaixona quem é burro, e quem gosta de sofrer, porque quando o amor é muito, as consequências tornam-se inexplicáveis.
Contigo não foi muito diferente, pelo menos no início. Soube que não eras igual a todas as outras gajas a quem já tinha mentido, e foi por isso que nem me dei ao trabalho de o fazer, e eu inocente ao pensar que ias ser mais uma. Não foste, e eu tentei tanto que fosses.
Eras tão mais. 
Nunca precisei de tretas contigo. Foi por isso que me apaixonei. Foi por isso que me tornei um daqueles burros de quem eu tanto falava. Era tudo muito complexo, era tudo muito real. Eras tu a minha parte fraca, eras a minha consequência inexplicável.
Nunca precisei de te exibir perante ninguém, porque tu própria já o fazias, sem fazer nada. Todos os outros “eu” me diziam o quão intocável eras. Intocável foi sempre a palavra que mais te caracterizou. Sorrias a quem te sorrisse, mas não falavas a quem te falasse. Que gaja eu tinha ali.
Parava no tempo só para te ter um minuto.
Amar-te partiu-me a meio. Perder-te afundou-me.
Não te vou pedir desculpa nem dizer-te o quão burro eu fui. Voltei à estaca zero quando me disseste adeus, por isso, o amor continua a ser para burros. E eu sou apaixonado por ti.
Não consigo acompanhar-te. Tens um ritmo muito acelerado, tens muita certeza em todo o teu corpo, e muito futuro na tua vida. E eu não sei nada. Só sei que queria não te querer mais. Porque quando entras em qualquer sítio onde estou, eu sinto toda a gente a olhar para mim. Sinto os olhares de julgamento dos gajos que queriam tocar-te, sinto a interrogação de todas as gajas que sentem inveja de ti. E tu não dás por elas. Não tens inveja, não queres que te toquem, e só vives aquele momento.
Não sei nada da tua vida. Foda-se, que estupidez.
Conheço muito de ti para agora já não conhecer nada. Conheço todos os teus sorrisos, todas as tuas manhas, todas as tuas expressões, e todos os teus sonhos. E por saber que não te importas com merda nenhuma dos outros, é que tenho medo por ti.
Medo que deixes outro toque roubar-te de mim, medo que alguém te faça sofrer mais que eu. Porque quando um dia alguém te fizer sofrer mais que eu, sei que esse cabrão foi especial na tua vida. E eu queria não deixar que isso acontecesse.
Queria guardar-te numa caixa, proteger-te de todas as tempestades que vais apanhar e de todos os otários de quem vais gostar. Mas sei que não precisas. Nunca precisaste de merda nenhuma para te proteger, nem para te dizer o que fazer. Porque não o fazes… fazes sempre o contrário.
Sei que não namoras mas sempre fui ingénuo ao pensar que eu ia ser o grande amor da tua vida, e que não ias voltar a apaixonar-te por alguém, como por mim. Mas vejo-te a rir sem motivo, a falar pelos cotovelos, e mais que tudo, a não desviar o teu olhar do meu. E é aí que sei que te vais apaixonar, e que alguém vai conseguir encontrar-te no meio de tudo o que eu deixei partido em ti.
Continuas com o teu olhar, de dona de ti mesma. Continuas a deixar-me na merda.
Agora olhas-me, sem medos, sem desgosto, sem arrogâncias. Olhas-me com aquele olhar de passado que eu tive tanto medo de ver. Assusta-me ver-te tão bem, sem mim. Assusta-me a tua independência, o teu olhar de quem tem o mundo na mão, e o teu desejo de fazer tanta coisa, sem precisar de ninguém.
Quero que sejas feliz. E ao cabrão que te roubar, espero que te roube por inteiro.
Só não deixes de pisar o chão como pisas, e de ver o mundo como vês, porque é tudo o que tens tão teu em ti que me faz acreditar que um dia, vou voltar a encontrar-te

Sem comentários:

Enviar um comentário