21:12
Não sei o que hei-de dizer-te mas sinto necessidade de te escrever, mesmo sabendo que nunca saberás o que aqui digo, mas não sei se tão pouco queria que me ouvisses. Gosto de pensar que tens a ideia que continuo a menina forte que um dia aqui deixas-te. Desde que me lembro de escrever que te escrevo. No fundo, tu és a minha maior inspiração. Aliás, na verdade, tu és a minha maior tudo. És a minha maior fraqueza, e a minha maior força. És o meu maior amor, e o meu maior rancor. É em ti que encontro tudo o que procuro, e o que mais abomino, é a ti que eu preciso, e és tu que nunca vens. Sou confusa, sabes? Claro que sabes. Em relação a tudo. Mas em relação a ti? Esquece sou a pior das confusões. Sou um autêntico bichinho de sete cabeças, o pai sempre me disse que nisso saio a ti é verdade? Nem eu percebo o que diz respeito ao que sinto por ti. É quase como se.. como se quisesse disparar sobre ti e, ao mesmo tempo, pôr-me à frente da bala? É isso mesmo. Por um lado, matava-te. E, por outro, morria por ti. Apesar de toda a dor e do todo o rancor, amo-te muito mamã.
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