17:57
A noite mata-me por dentro, e não era suposto, visto que a lua sempre foi a minha melhor amiga, sempre foi quem nunca me deixou quando as coisas estão más. Pedaços de mim, desmoronam mais a cada noite que passa, podia corta-los, mas já nem isso me dói, e começa a doer-me que já nada me doa. Cai num buraco negro, com janelas vazias, e já aqui estou à tanto tempo que janelas vazias começam a tornar-se em parapeitos de amores perdidos e mentes sujas, corações negros e almas perdidas. Sou um Outono que não pára de perder folhas, e que não se cansa de as contar caídas. Espero ser um Inverno com o coração gelado. Foram dias em que pensava em tudo menos em ser-me, queria tudo menos ser-me, tentativas de deixar de me ser pairavam na minha cabeça e sentia a pedirem-me para lhes dar ouvidos, sentia a pedirem-me o fim, o meu fim, o nosso fim. Segundos de dúvidas incontroláveis. Cicatrizes que nunca cicatrizarão percorrem-me o corpo e a mente, espero que alguém me entenda, mas nunca ninguém o fará. Sinto-me a afogar, e certamente não vou conseguir flutuar muito mais tempo.
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