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Sente-se o vento primaveril a brincar com os meus longos cabelos escuros. Os olhos fecham, a expressão mantém-se neutra, os ombros tensos e um leve tremor invade todo o meu corpo. Permaneço sentada na varanda, pele em contacto com o chão. Deixo-me levar pela brisa, sentir-me aconchegada pela sua suavidade, pela sua delicadeza que me causa arrepios. É um longo dia, solitário e entristecido, mas o meu coração já não deixa escapar nenhum suspiro. Não me importo mais, abracei a solidão, tornei-a na minha melhor amiga e afeiçoei-me a ela. Às nossas horas de acalmia, de palavras sinceras e longos textos, do som do lápis em contacto com o papel. O meu lar. O nosso lar. Porque já somos uma só, vivemos num misto de compreensão, de fraqueza e de lágrimas salgadas. Quando uma gota se escapa, não existe um lenço branco de papel, áspero e material, para a secar, mas sim o fantasma solitário das almas perdidas que me recebe num dócil abraço. Irreal mas de alguma maneira, bem presente no coração desfalecido.
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