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Parece que tenho a torneira ligada. Já perdi a conta de à quanto tempo é que estou neste estado, e nem sei muito bem qual o porquê. Estou farta. Estica-me a mão, e socorre-me deste mar de sentimentos negros e perturbantes. Não me deixes afogar em mágoas e pensamentos suicidas, nem em tristezas definitivas. Leva-me para fora daqui, leva-me para junto de ti, leva-me para fora de mim e de quem sou. Afinal não sou nada, sou um fantasma que brinca às escondidas mas sem ninguém para me procurar. Para contar até dez e vir resgatar-me do esconderijo. Permaneço lá, só e sem consolo, à espera de ser encontrada, de ser salva. Onde estás tu? As lágrimas correm noites a fio com a saudade presa no coração, impossível de ser arrancada. Maldita saudade, malditas memórias, maldita seja eu. Salva-me deste meu ser incompreensível por ele próprio, deste ser sem amor próprio, desta minha criação humana que me faz querer deixar-me fluir com o vento e cair num abismo qualquer. O abismo persegue-me e o meu coração cada vez considera mais deixar-me levar por ele, o meu coração cada vez pensa mais em fluir com o vento. Afinal onde estás tu ?

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