absence of pain #2

Não deixes de respirar, escrevi-to quando morreste na minha morte. Café frio e lençóis brancos e o teu ar apagado, o teu olhar dormente de quem era fantasma. Dizia-te que aqueles não eram os dias para eu viver, questionavas-me porquê, e eu desatava em lágrimas, abraçavas-me e dizias-me que tudo ia ficar bem, seguravas a minha cara e beijavas-me e eu ficava por ali mais um pouco. Perguntava-me como poderias aguentar-me, não encontrava motivos ou respostas. Decidi perguntar-to a ti, mas também não obtive algum motivo ou resposta, apenas um encolher de ombros, e um sorriso com vontade de que aquele momento não acabasse. Que fosse eterno, que nosso relógio parasse. Deitei a minha cabeça nas tuas pernas e ficamos por ali. Queria que a vida fosse mais fácil, nem que fosse para ti, um arrepio estremeceu-me o coração e eu sorri. Estavas com medo, desataste em lágrimas e eu acompanhava o mesmo medo, a mesma melodia que escorria lentamente pelo nosso rosto. Peguei na tua mão molhada e beijei-te o rosto. Apenas não deixes de respirar.