As coisas más estão a voltar, e a minha capacidade de lidar com elas está a ir embora. Os desmaios estão a ficar novamente frequentes, assim como os ataques de pânico, e as noites em claro. Está tudo a ficar demasiado doloroso para uma só pessoa, para um só ser humano. E eu apenas estou a esgotar tudo o que tenho. Tinha tanta coisa reservada para momentos como este, momentos de tempestade, sem poder regressar a terra, só que eu enganei-me numa coisa, pensava que estes momentos seriam curtos e que as minhas reservas de coisas boas iriam chegar, mas simplesmente está tudo a acabar. E eu estou a ficar cada vez mais com medo. Estou a pensar em abandonar o meu próprio barco, estou a pensar em desistir, estou a deixar-me ir ao fundo. E eu nem sei porquê. Ironia, porque os meus mil e um remendos falam por si, eles explicam o porquê da água estar a voltar a entrar. Acho que só vou ficar bem quando chegar definitivamente ao fundo, quando conseguir finalmente perceber que é no fundo o meu lugar, quando conseguir entender o porquê do lugar de pessoas como eu ter que ser lá tão em baixo. Só ficarei bem quando conseguir ter a certeza que tenho a âncora no lugar certo, porque agora estou ancorada num sitio, com um desejo tão forte de estar noutro. Mas sítios são como pessoas, às vezes as que queremos não são as que precisamos e é realmente isso a minha vida. Estou ancorada a um sitio que tenho que aprender a querer de coração inteiro, aprender a gostar deste sitio durante as 4 estações, porque no final ainda é esse sitio que faz o meu barco balançar, e eu não posso ser tão ingrata ao ponto de querer estar ancorada no meio da tempestade. Afinal nenhum barco aguenta sobreviver numa tempestade assim, muito menos o meu que é tão.. frágil, e que uma simples gota de água faz tantos danos.
