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Ultimamente tenho pensado imenso em ti, tenho saudades tuas. Conheço-te desde que me lembro que sou gente, e tu sempre estiveste presente em todas as fases da minha vida. Eras 3 anos mais velho e talvez por isso davas-me uma segurança incrível e não deixavas que nada de mal acontecesse na minha vida. Foste sem dúvida a melhor pessoa que eu já conheci, foste o melhor amigo que eu alguma vez tive. E eu preciso novamente de ti na minha vida, preciso da segurança que me davas, e do teu ombro para chorar sem fazeres grandes perguntas, ou simplesmente perguntares quem me tinha posto naquele estado. Não te vejo à 3 anos, pouco ou nada sei de ti agora, só sei o que me vão dizendo quando aí vou e pergunto algo sobre ti. Sabes aquele peluche que me deste no dia em que eu vim para a minha nova vida? Está sempre comigo, porque ele és tu, e tu cuidas de mim. Já pensei em ir ter contigo, em dizer-te que tenho saudades tuas e que morro por estares a 300 quilómetros de mim, ou a 500 metros quando ai vou, mas acho sempre que já não te vais lembrar de mim, ou que depois ter que me despedir de ti de novo me vai magoar o dobro. É estranho, nesta fase da minha vida, que de bom nada tem, só consigo chamar por ti, pela tua amizade, e pelo teu conforto. Tu sempre foste um dos pilares da minha vida, e quando eu vim embora, tudo caiu. Deixou de fazer sentido ir à escola porque tu já não batias na minha porta e já não ias comigo, deixou de fazer sentido andar de patins porque tu já não me seguravas quando eu ia a cair, deixou de fazer sentido comer frango com natas porque nenhum é igual aquele que tu fazias. Eu perdi-me porque te perdi, foi perder uma parte de mim, sem perder, porque eu não fazia nada sem ti. Tive que me habituar a fazer as coisas sozinhas e isso nem sempre correu bem. Eu lembro-me de ti quando tinhas 11 anos, tinhas o cabelo liso, achavas muito divertido ir ao jardim zoológico e pensavas que a melhor comida do mundo era um hambúrguer  batatas fritas e um batido de chocolate. Quatro anos mais tarde tinhas o cabelo com caracóis (nunca percebi bem de onde é que esse caracóis vieram), ouvias música estranha e achavas que os jardins zoológicos os locais mais cruéis do mundo mas ainda continuavas a achar que o hambúrguer, batatas fritas e um batido de chocolate duplo eram a melhor comida do mundo. Lembro-me de cada palavra da nossa despedida, como se fosse ontem, lembro-me de te ver chorar, tu que eras o senhor coração de pedra, lembro-me do nosso último abraço e da tua imagem a ficar para trás, eu lembro-me de ser realmente feliz. Quero-te de novo da minha vida, quero de novo os teus beijinhos e os teus abraços que me faziam feliz. Tenho saudades tuas Naike.