Start again


Talvez um cigarro me acalmasse. Talvez uma bebida me fizesse esquecer as dores que me apertam a alma e o coração. Queria sufocar todas as lembranças que insistes em fazer-me recordar. Vê-las deixar de balançar as suas pernas com a felicidade estúpida de quem ama cegamente sem saber os segredos de um coração. Quero apagar-te e fingir que em todo este tempo eu estive a dormir num sono profundo, num sonho tão verdadeiro que quase parecia realidade. Disfarçar o meu passado, fugir e recomeçar de novo. Fazes escolhas não custa, custa é termos que lidar com elas e fazer a escolha certa custa sempre mais. Porque geralmente essa escolha é sempre aquela que contraria os desejos do coração. Mas com essa escolha fazes ideia do quanto mudaste, desde então que nos conhecemos? Sabes que me tens aqui no matter what. E eu, sinceramente, não sei que mais hei-de dizer-te. Não quero que penses que ando por aí a chorar pelos cantos por estarmos como estamos, porque não ando. Ainda não me recomendo, mas já estou bem. Ou melhor, vou estando. Só não sei o que foi que fiz de tão errado, e qual o porquê de não seres tão pouco capaz de me dizer que tens a certeza de que é isso que queres. Porque até eu sei que é isso que queres. Mas estes teus impasses dão cabo de mim, juro que dão, de mim e de quem me rodeia e só quer o meu bem. Estou a seguir em frente, mas ainda tenho um pé atrás.. E se tu quiseres, se tu quiseres mesmo muito, ainda conseguias apanhar-me, mas neste momento sei que não consegues, porque quem realmente conseguia era a pessoa que tu eras à uns tempos atrás não a que és agora. Mas esse teu "tu" já não está cá agora. Porque olha, é como dizem, ninguém sabe o dia de amanhã. E se eu amanhã já não estiver aqui, será que é ai que terás certezas do que queres?

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