# Carta para ti II


Tem dias que a dor não passa de dor. Dias em que a dor me escorre pelos olhos e dias em que o meu coração me arde, o que ainda dele resta. Tem dias em que os meus olhos estão no céu e o céu está em mim. Dias em que perco e não sei de mim e dias em que me encontro num sorriso que já me pertenceu. Porque, embora eu ainda saiba sorrir, ainda possuo a mágoa entranhada em mim. Mágoa que não muda mesmo quando o tempo ainda é tempo. Mesmo quando não beijo as estrelas, nem lhe ofereço a brisa da manhã. Porque o tempo já foi nosso. Já parou o mundo só para nos ver felizes. E eu ainda o conheço. Ele ainda me cheira a menino-homem-grande, escrito num livro aberto, onde se vive histórias afortunadas e se saboreia os dias sem água e sal. Mesmo que, ainda, me doa sustentar a bagagem do passado. Porque, recordar-me dele é como perder um pouco mais de mim a cada recordação. É como não saber de mim e encontrar-me nas curvas de um sorriso. No do dele. Nós perdemos-nos e encontrámo-nos de olhos vendados. Nós… Eu me perdi quando ele se encontrou.

Sem comentários:

Enviar um comentário