Pain

Já começou a minha hora de escrever para ti, mais uma vez. Mais um ano se passa daqui a 15 dias e eu não quero que penses que me esqueci de ti. São 11 anos, 132 meses sem ti. 4015 dias sem a tua presença. Sem uma chamada. Sem um abraço ou um sorriso. Sem a tua voz nos meus ouvidos. Sem o teu olhar... Tudo tão vazio, reparaste? Tal como eu me sinto. Tal como está o meu interior. Vazio e sozinho. Abandonado e perdido por aí. Pergunto-me todos os dias se estás bem, apesar de não fazer sentido pensar nisto...  Sinto-me frustrada, mas sei que vou arranjar maneira de te ver, um dia. Estamos perto do Natal e não quero que passes este dia sozinha, embora nós o façamos... vamos passar este dia sem ti. Sem a maior alegria da família. Dói-me tanto o coração, mãe. Dói mesmo muito! E ele aperta todos os dias mais um bocadinho. Os de fora dizem que passa. Dizem que a minha tristeza mais tarde ou mais cedo passa, porque tudo passa, nada é eterno. Gostava que essas mesmas pessoas encarnassem no meu corpo para sentirem o que eu sinto e verem o vazio em que me encontro, a falta que uma mãe faz. Perceberem o quanto dói viver, todos os dias, da maneira que eu vivo. Talvez sejam aqueles que me abraçam sem proferirem uma palavra que me ajudassem mais. Mas esses... oh, eu não tenho ninguém que o faça, porque estou sempre sozinha. E estou longe o suficiente para que não me possam confortar como eu, na minha opinião, mereço. E aí sinto-me ainda mais sozinha. Mais perdida. E acho que se tu ainda estivesses por cá, seria diferente, mãe. Talvez eu recorresse a uma chamada tua para me sentir mais confortável, mais alegre, o teu abraço iria-me fazer tão bem. E hoje isso é-me totalmente impossível e eu não sei que mais o que fazer. Não sei como reagir, como me levantar deste chão gelado. Não sei o que fazer porque me faltam muitas peças. Nomeadamente a peça que me constitui. A peça fundamental do meu puzzle. Por isso deixo-me ficar aqui. Algum dia hei-de ser salva.(Talvez)
Amo-te muito mamã. 
Beijinhos Inês.

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