Dead or alive?

Está frio, tanto frio. As minhas mãos encontram-se revestidas de luvas quentes, mas não quentes o suficiente. Passo a mão no cabelo, que se cola à cara devido à eletricidade estática. Malditas luvas! Mordo o lábio e sorrio, escondendo as lágrimas que fazem tanta força para cair. Dentro de mim há das mais variadas formas de sentimentos, imagináveis e inimagináveis, mas o que acontece dentro de mim fica dentro de mim, e mais ninguém tem de o testemunhar. De facto, com o passar do tempo os sentimentos tornam-se mais fáceis de esconder, e as pessoas tornam-se mais abertas para acreditarem nas minhas mentiras. Sento-me num banco qualquer, num sítio qualquer, e olho à minha volta. Vejo verde. Mas não é um verde vivo, é um verde escuro, morto, triste. Não é um verde de primavera, é um verde depressivo de inverno. Vejo uma flor, a última réstia de cor deixada para trás por um vento forte e revoltado, que levou tudo o que era feliz consigo. Levou sonhos antigos e esperanças sem fundamento. Levou o sorriso infantil de tantas crianças felizes que sonham acordadas com o retorno do verão. Apanho a flor, aquela réstia de vida. Tão frágil, tão vulnerável ao ar frio de inverno. Deixo-a partir na brisa, na mesma direção que esvoaçava o meu cachecol, cachecol esse que me cobria parte do rosto com o qual aprendi a viver. Seguro a minha câmara em frente, tentando ver o que estava bem à minha frente, de outra perspetiva, mas as cores não surgem no ecrã e o meu mundo continua a preto e branco. Foi assim que o meu espírito de guerreira voou para longe, deixando para trás uma alma insegura e fria. Foi assim que me deixei perder, numa tarde fria de inverno.

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