broken


Encontro-me mergulhada na exaustão. A chuva de Dezembro, bate nas janelas lá fora. Dói-me a cabeça, muito. E tenho algo a fazer. Mas ao invés disso deito-me na cama sem fazer nada, com uma mente vazia, ou quase. Estás lá tu. De novo, como sempre, atormentas-me o pensamento.
O corpo de uma rapariga repousa, imóvel, numa cama branca e rosa. Vejo o corpo; vejo-o através dos seus olhos. As mãos claras, os pés frios, as pernas magras. Vejo-o mas não o sinto,  não há calor nem frio. Não o mexo, perdi o controle sobre ele, este corpo que não é meu. Que faço aqui? Tenho medo, estou perdida. Estarei morta? Existo? Serei só uma ilusão aprisionada numa bola de vidro?
Voltas a mim, com uma nitidez sobrenatural que me magoa, e esta passa a ser a única dor que sinto. Sinto-me a cair outra vez. Quero lutar, quero-me de volta, mas não posso. Perdi-me sem ter para onde ir e deixei-me levar pela dor.
E desta vez, ninguém me pode salvar.

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